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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Artigo de Dom Antônio Dias Duarte

Tempo do Advento traz um "despertador" para a alma, diz bispo



Despertar! Confessar!

Afirmar que o Natal já está às portas dos nossos lares tornou-se um lugar comum nos comentários das pessoas. “Já chegou o Natal! Como esse ano correu depressa!”

Essas palavras são quase semelhantes em todos os idiomas no mês de novembro e daí o perigo de acostumar-se com elas e só abrirmos realmente os olhos para o Natal nos dias imediatamente próximos do nascimento de Cristo.

É verdade que nas lojas já se respira o ar comercial dessa festa anual, e nas paróquias e em algumas casas de família as pessoas se reúnem para fazerem a Novena de Natal seguindo os mais diversos roteiros de orações e de ritual.
    
Entretanto, por trás de cada árvore e enfeites de Natal, dentro de cada prece e da liturgia desses dias finais do ano, o lugar comum questiona a consciência de cada um de nós. Se “já chegou o Natal” vocês e eu estamos chegando, cada ano, ao 25 de dezembro devidamente preparados na alma?

Não nos estranha tanto a velocidade dos meses, dos dias, porque o lugar-comum da rapidez do tempo é evidente. O que estranha, sobretudo, é que esperemos passiva e lentamente no nosso espírito a chegada do Menino-Deus.

A Igreja Católica, sendo Mãe de todos os batizados, vem ao nosso encontro com uma pedagogia amorosa e suave e desperta as nossas mentes e corações com outras palavras: “Sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé... revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (carta de São Paulo aos Romanos 13, 11-14).

Esta mesma atitude de expectativa é o que a Igreja hoje, como ontem, nos tempos do Apóstolo Paulo, deseja para os seus filhos e filhas. “É hora de despertar” do sono da lentidão espiritual, do sono da pressa consumista das compras natalinas, do sono do desinteresse pela própria felicidade presente e futura, do sono da superficialidade, do sono dos sonos, que é a monotonia  celebrativa do Nascimento de Deus na sua humanidade.

Na vida e na missão da Igreja, está sempre esse horizonte maravilhoso. Jesus de Belém, de Nazaré, dos caminhos poeirentos da Judeia, de Nazaré, da Samaria, da Galileia, é o Deus-conosco, o Emanuel, que veio à terra para despertar os espíritos sonolentos, as consciências adormecidas, as vidas sem horizontes mais elevados.

No tempo litúrgico do Advento, recentemente iniciado, existe um despertador das almas, das consciências e das vidas rasteiras. O sacramento da Reconciliação soa como um sino forte e repetitivo nesse tempo preparatório do Natal, convidando o povo de Deus à conversão interior.

Que bela lição de vida deu-nos no Natal de 1980 o Papa João Paulo II ao encontrar-se com mais de 2.000 crianças numa paróquia de Roma. Iniciava naqueles dias de Advento um diálogo com esses meninos e meninas com a seguinte pergunta:

- “Como é que vocês se preparam para o Natal?”
- “Com a oração”, responderam aos gritos aquelas crianças.
- “Muito bem, com a oração, mas também com a confissão. Vocês têm que se confessar para depois comungar. Farão isso?”
- “Faremos”, foi um coro de milhares de vozes infantis.
- “O Papa também se confessará para receber dignamente o Menino-Deus”.

Assim faremos nós também nestas semanas que faltam para o Natal. Sempre podemos confessar mais e melhor, colocando um amor e um arrependimento cada vez maiores. Sempre podemos receber com melhores disposições este sacramento da Misericórdia de Deus. Sempre podemos fazer um exame de consciência mais detalhado e delicado, que nos faça ver recantos escuros e frios da alma.

Despertar para o Natal de 2013 confessando, revestindo-nos nesse Sacramento da Alegria divina de Jesus Cristo. Despertar para o x ésimo (10, 20, 30, 40, 60) dia de Natal das nossas vidas olhando, com a alma limpa e convertida, para Aquele que vem, de onde vem, para que vem, por que vem e por que caminho vem.

A Igreja Católica em todo mundo não colocaria essas 4 semanas litúrgicas antes do Natal e não comemoraria com tanta solenidade e devoção o Nascimento de Jesus na gruta de Belém se não existisse aqui um grande mistério, o mistério da Salvação da humanidade realizada pelo nosso Cristo Redentor.


Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro


Fonte: Canção Nova Notícias
Capa CN Notícias

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